{"id":856,"date":"2016-11-24T02:43:10","date_gmt":"2016-11-23T23:43:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.liganaval.poli.ufrj.br\/?p=856"},"modified":"2016-11-28T02:50:17","modified_gmt":"2016-11-27T23:50:17","slug":"snbr-submarino-nuclear-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liganaval.poli.ufrj.br\/index.php\/2016\/11\/24\/snbr-submarino-nuclear-brasileiro\/","title":{"rendered":"SNBR \u2013 Submarino Nuclear Brasileiro"},"content":{"rendered":"<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"http:\/\/pbrasil.files.wordpress.com\/2010\/05\/scorpene.png?w=708&amp;h=334\" alt=\"\" width=\"708\" height=\"334\" \/><\/div>\n<div>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o Brasil deseja submarinos montados e projetados no pa\u00eds. O primeiro equipamento desse tipo incorporado \u00e0 Marinha remonta a 1914, mas levou quase 80 anos at\u00e9 que o primeiro navio com capacidade de submergir fosse constru\u00eddo em territ\u00f3rio nacional. Tratava-se do Tamoio, um IKL-209 de tecnologia alem\u00e3, produzido em1993. Agora, passados mais 18 anos, finalmente chegam \u00e0 superf\u00edcie os planos de produ\u00e7\u00e3o de um submarino projetado no pa\u00eds, gra\u00e7as ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) \u2014 parceria estrat\u00e9gica entre os governos brasileiro e franc\u00eas firmada em 2008 e aprovada pelo Senado somente em abril deste ano.<\/div>\n<div>Os franceses dominam a tecnologia de produ\u00e7\u00e3o de submarinos convencionais e nucleares. A transfer\u00eancia de tecnologia a ser feita diz respeito \u00e0 classe Scorp\u00e8ne, do estaleiro Direction des Constructions Navales Services (DCNS). O projeto prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de quatro submarinos convencionais (S-BR), movidos a motores diesel-el\u00e9tricos, e um nuclear. Todos ser\u00e3o feitos em novo estaleiro da Itagua\u00ed Constru\u00e7\u00f5es Navais, criada a partir de uma parceria entre a DCNS e a Norberto Odebrecht. O estaleiro e as demais instala\u00e7\u00f5es \u2014 que incluem uma base naval, a Unidade de Fabrica\u00e7\u00e3o de Estruturas Met\u00e1licas (Ufem) e a planta da Nuclebr\u00e1s Equipamentos Pesados (Nuclep), estatal que far\u00e1 as se\u00e7\u00f5es cil\u00edndricas do casco \u2014 ficar\u00e3o prontos em 2015. O custo total do programa est\u00e1 or\u00e7ado em 6,7 bilh\u00f5es de euros, o equivalente a R$ 16 bilh\u00f5es, quase o triplo estimado para o reequipamento completo da Marinha brasileira.<\/div>\n<div>O primeiro casco come\u00e7ou a ser feito em 16 de julho, mas os submarinos v\u00e3o para a \u00e1gua de maneira escalada, sendo que o primeiro entrar\u00e1 em servi\u00e7o em 2015. O \u00faltimo ser\u00e1 finalizado em 2025, sendo que a conclus\u00e3o do navio nuclear est\u00e1 prevista para 2023. Na pr\u00e1tica, \u00e9 o final da novela do submarino nuclear, cujo programa ficou praticamente em hiberna\u00e7\u00e3o entre 1994 e 2006 e voltou \u00e0 tona gra\u00e7as a descoberta de novas reservas de petr\u00f3leo, o pr\u00e9-sal, o que demandar\u00e1 novas exig\u00eancias da Marinha.<\/div>\n<div>No passado, o afundamento do cruzador argentino Belgrano, em 2 de maio de 1982, pelo submarino nuclear brit\u00e2nico Conqueror, na Guerra das Malvinas, refor\u00e7ou a necessidade de o Brasil ter armas desse tipo \u2014 foi o \u00fanico ataque de um submarino do tipo a uma embarca\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje. Quatro embarca\u00e7\u00f5es parecem pouco, mas, segundo a Marinha, com o parque formado e a nacionaliza\u00e7\u00e3o de componentes, ser\u00e1 mais f\u00e1cil fazer outros submarinos. O programa espera capacitar 140 fornecedores locais, que ser\u00e3o respons\u00e1veis por cerca de 20% das pe\u00e7as, o equivalente a 36 mil itens, como quadros el\u00e9tricos, bombas hidr\u00e1ulicas, sistema de combate e de controle e baterias de grande porte. Contudo, todas as empresas ser\u00e3o escolhidas pelos franceses, em raz\u00e3o da experi\u00eancia do estaleiro.<\/div>\n<div>Brasileirinhos<\/div>\n<p>Os Scorp\u00e8nes nacionais ser\u00e3o alongados em rela\u00e7\u00e3o ao original CM-2000, de 62m, projetado em conjunto com a empresa espanhola Izar. O peso vai at\u00e9 as 2 mil toneladas, contra 1.500 do Scorp\u00e8ne original. A propuls\u00e3o usa quatro geradores movidos a diesel para recarregar as baterias, respons\u00e1veis por entregar a energia usada pelos motores el\u00e9tricos para impulsionar a embarca\u00e7\u00e3o. Submerso, o novo submarino brasileiro (S-BR) chega aos 20 n\u00f3s, o equivalente a 37km\/h, que caem para 22km\/h na superf\u00edcie. Em ritmo de cruzeiro, o alcance chega a 12 mil quil\u00f4metros, o que diminui para pouco mais de mil quil\u00f4metros em navega\u00e7\u00e3o submersa, sendo que a profundidade de opera\u00e7\u00e3o chega aos 350m. Os Scorp\u00e8nes ainda podem ficar at\u00e9 50 dias debaixo da \u00e1gua. A tripula\u00e7\u00e3o ter\u00e1 pelo menos 32 homens, contingente pequeno em raz\u00e3o da automa\u00e7\u00e3o dos sistemas de controle e armas. Para se ter ideia, os antigos submarinos da Classe Oberon exigiam 74 tripulantes. Na Am\u00e9rica do Sul, o Chile j\u00e1 tem duas embarca\u00e7\u00f5es do tipo Scorp\u00e8ne, usadas tamb\u00e9m por outros pa\u00edses, como a \u00cdndia e a Mal\u00e1sia.<\/p>\n<div>Em rela\u00e7\u00e3o ao Scorp\u00e8ne original, com mais de 100m de comprimento e deslocamento de at\u00e9 6 mil toneladas, a variante nuclear ser\u00e1 amplamente modificada em raz\u00e3o do espa\u00e7o superior exigido pelo n\u00facleo do reator. No caso, o Scorp\u00e8ne servir\u00e1 apenas como base para o desenho final. Estrat\u00e9gicos, os submerg\u00edveis nucleares fazem parte de poucos arsenais no mundo: apenas de China, Estados Unidos, Fran\u00e7a, Inglaterra e R\u00fassia. Surgidos em 1954, quando o norte-americano USS Nautilus foi lan\u00e7ado, os submarinos nucleares s\u00e3o objeto de desejo do Brasil desde 1978, quando tamb\u00e9m se desenvolveu o programa nuclear nacional. O respons\u00e1vel pela propuls\u00e3o nuclear do submario \u00e9 o Centro Tecnol\u00f3gico da Marinha em Iper\u00f3, interior paulista, que desenvolve o circuito prim\u00e1rio da propuls\u00e3o, sendo que o combust\u00edvel (ur\u00e2nio enriquecido) j\u00e1 foi desenvolvido pela institui\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>A\u00e7\u00e3o<\/div>\n<p>Os equipamentos a serem produzidos no Brasil ser\u00e3o de ataque, usados para combater submarinos, embarca\u00e7\u00f5es ou outros alvos de superf\u00edcie. Entre os armamentos, est\u00e3o seis tubos de torpedos que podem levar 18 torpedos (12 reservas), m\u00edsseis antinavio Exocet ou at\u00e9 30 minas. Toda a manipula\u00e7\u00e3o de armas \u00e9 automatizada. Para diminuir a chance de ser atingido, o casco tem baixo \u00edndice de detec\u00e7\u00e3o por sonares. A despeito da capacidade de fogo, a dissuas\u00e3o \u00e9 o ponto de principal de import\u00e2ncia estrat\u00e9gica. A introdu\u00e7\u00e3o dos S-BRs n\u00e3o tirar\u00e1 os antigos de servi\u00e7o \u2014 quatro submarinos da classe Tupi (IKL-209) e um Tikuna, que ficar\u00e3o baseados em Itagua\u00ed.<\/p>\n<div>Cada submarino ter\u00e1 aplica\u00e7\u00f5es diferentes. Enquanto os convencionais se encarregar\u00e3o de patrulhar um ponto sempre pr\u00f3ximo da costa, o nuclear usar\u00e1 suas vantagens de maior autonomia e capacidade de manter altas velocidades para se deslocar. Algo ideal para a grande extens\u00e3o de litoral, como destaca a Marinha.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fonte: Guerras &amp; Armas<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o Brasil deseja submarinos montados e projetados no pa\u00eds. O primeiro equipamento desse tipo incorporado \u00e0 Marinha remonta a 1914, mas levou quase 80 anos at\u00e9 que o primeiro navio com capacidade de submergir fosse constru\u00eddo em territ\u00f3rio nacional. Tratava-se do Tamoio, um IKL-209 de tecnologia alem\u00e3, produzido em1993. 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