{"id":818,"date":"2016-11-01T00:11:03","date_gmt":"2016-10-31T21:11:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.liganaval.poli.ufrj.br\/?p=818"},"modified":"2016-11-01T00:47:00","modified_gmt":"2016-10-31T21:47:00","slug":"mesa-redonda-formei-e-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/liganaval.poli.ufrj.br\/index.php\/2016\/11\/01\/mesa-redonda-formei-e-agora\/","title":{"rendered":"Entrevista com Jo\u00e3o Henrique Volpini"},"content":{"rendered":"<h5><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-790 size-medium alignleft\" src=\"http:\/\/www.liganaval.poli.ufrj.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/volp-300x238-222-300x234.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"234\" srcset=\"https:\/\/liganaval.poli.ufrj.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/volp-300x238-222-300x234.png 300w, https:\/\/liganaval.poli.ufrj.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/volp-300x238-222.png 314w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/em>Jo\u00e3o Henrique Volpini tem mais de 35 anos de experi\u00eancia na \u00e1rea de engenharia, consultoria, desenvolvimento, suporte e marketing. Formado na UFRJ em Engenharia Naval e Oce\u00e2nica em 1980.\u00a0Durante sua trajet\u00f3ria trabalhou no Estaleiro Mau\u00e1, em classificadoras, como DNV e RBNA. Ao final da d\u00e9cada de 80 e toda a de 90, devido \u00e0 crise na constru\u00e7\u00e3o naval, auxiliou no desenvolvimento de um microcomputador mar\u00edtimo, depois foi revendedor do AutoCAD, plotters e mesas digitalizadoras, al\u00e9m de ministrar cursos nesta \u00e1rea.\u00a0Trabalha atualmente nas Barcas S\/A Transportes Mar\u00edtimos &#8211; CCR Barcas.<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5>No m\u00eas de Setembro, a Liga Naval foi at\u00e9 o estaleiro CCR barcas e entrevistou essa fera. A entrevista desta edi\u00e7\u00e3o est\u00e1 cheia de informa\u00e7\u00f5es, curiosidades e dicas para voc\u00ea! Confira!<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h5><strong>Voc\u00ea \u00e9 formado como Engenheiro Naval e Oce\u00e2nico pela UFRJ. Como ex-aluno, o que voc\u00ea acha que a faculdade mudou no desenvolvimento profissional em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o? <\/strong><\/h5>\n<p>Vejo que HOJE, a diferen\u00e7a para a minha \u00e9poca s\u00e3o os professores, que antes eram mais da metade da ind\u00fastria. Isso resultava numa viv\u00eancia muito pr\u00e1tica. Hoje s\u00e3o quase que exclusivamente da universidade. Acho que voc\u00eas podem sentir falta disso, dessa vis\u00e3o pr\u00e1tica, desta uni\u00e3o com a teoria.<\/p>\n<h5><strong>Ap\u00f3s formado, o que voc\u00ea acha que poderia ter ajudado na sua estabilidade profissional para o futuro?<\/strong><\/h5>\n<p>Quando eu me formei o mercado estava quente, fiz prova para a Marinha, fui classificado em primeiro lugar, fiquei um m\u00eas e notei que n\u00e3o era o meu esquema. Por\u00e9m, a Marinha gera uma estabilidade, voc\u00ea come\u00e7a com sal\u00e1rio baixo, mas agora receberia uma aposentadoria consider\u00e1vel. Mesma situa\u00e7\u00e3o com concurso da Petrobr\u00e1s. Quando se \u00e9 novo qualquer desafio \u00e9 aceit\u00e1vel, mas com o tempo precisa pensar bem nisso. Talvez olhando de longe, eu tenha ganho mais durante minha vida profissional trabalhando em empresas privadas, mas no futuro fica uma instabilidade &#8230; vou depender do INPS?<\/p>\n<h5><strong>Quais piores desafios na \u00e1rea de um engenheiro naval experiente?<\/strong><\/h5>\n<p>Empresa privada \u00e9 muito cheia de altos e baixos. Hoje mesmo, todas as empresas est\u00e3o nesse clima. Com anos de experi\u00eancia, voc\u00ea est\u00e1 num n\u00edvel de sal\u00e1rio muito alto, e as empresas preferem contratar um profissional mais novo, com uma experi\u00eancia m\u00e9dia e um sal\u00e1rio mais baixo.<\/p>\n<h5><strong>Trabalhando com diversos softwares, acha que existe algum especifico? <\/strong><\/h5>\n<p>Espec\u00edfico n\u00e3o. Cada lugar trabalha com algum software diferente. Fazendo o que precisamos para estaleiro \u00e9 o suficiente. Quando voc\u00ea entra no mercado vai fazer muitos desenhos, n\u00e3o apenas c\u00e1lculos, e acho necess\u00e1rio pelo menos ter a base do AutoCAD, ou MicroStation, etc. Modelos 3D s\u00e3o fant\u00e1sticos, mas o dia a dia ainda \u00e9 bidimensional. Outros softwares de c\u00e1lculo e an\u00e1lise dependem muito do lugar onde voc\u00ea vai trabalhar. O essencial \u00e9 um de desenho; como f\u00e3 do AutoCAD, prefiro ele.<\/p>\n<h5><strong>Voc\u00ea acha que o engenheiro no Brasil \u00e9 tratado de forma diferente no exterior? <\/strong><\/h5>\n<p>Na \u00e1rea de projetos n\u00e3o, pau a pau, n\u00e3o tem diferen\u00e7a. J\u00e1 tive discuss\u00f5es de alto n\u00edvel com engenheiros do exterior, e n\u00e3o me senti inferiorizado nos conhecimentos espec\u00edficos de projeto. Mas quando o assunto \u00e9 constru\u00e7\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil. O oper\u00e1rio brasileiro perdeu muito com a ind\u00fastria naval em baixa. N\u00e3o se tem mais o investimento de formar o oper\u00e1rio como antigamente.<\/p>\n<h5><strong>Tendo trabalhado em v\u00e1rias classificadoras, qual a diferen\u00e7a que sentiu trabalhando nelas?<\/strong><\/h5>\n<p>Na classificadora voc\u00ea tem duas \u00e1reas fortes: voc\u00ea tem o cara de escrit\u00f3rio que vai aprovar o plano, precisa ser bom na teoria, bom de software, porque dependendo da classificadora ele pode refazer o projeto inteiro usando os softwares da pr\u00f3pria empresa. E, no outro caso, \u00e9 o engenheiro vistoriador, mais de campo, precisa ter uma vis\u00e3o muito grande de tudo, e uma sa\u00fade de ferro. De qualquer modo, em qualquer das \u00e1reas uma classificadora de porte vai te dar um excelente treinamento.<\/p>\n<h5><strong>Seu trabalho atual na CCR \u00e9 respons\u00e1vel pela maior movimenta\u00e7\u00e3o de massa no Rio. Voc\u00ea sente que trabalhar com o transporte de pessoas seja uma responsabilidade maior para o engenheiro?<\/strong><\/h5>\n<p>\u00c9 uma press\u00e3o muito grande. Quase n\u00e3o se tem tempo para fazer o reparo porque o barco precisa voltar rapidamente \u00e0 opera\u00e7\u00e3o. Tiramos de circula\u00e7\u00e3o na hora do vale, para fazer os reparos e n\u00e3o interferir no fluxo e evitar transtornos. Qualquer erro resulta em atrasos, filas e consequentes reclama\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h5><strong>Voc\u00ea passou por diversas empresas e possui um curriculum bem \u201cdiversificado\u201d. Isso foi uma escolha ou apenas consequ\u00eancia do passar dos anos?<\/strong><\/h5>\n<p>Eu passei 15 anos fora da \u00e1rea naval e confesso que foi muito dif\u00edcil de voltar. Tive que aprender tudo novamente, pois j\u00e1 tinha esquecido. Doei toda minha biblioteca para a UFRJ na d\u00e9cada de 90 e quando decidi voltar para a \u00e1rea naval, nem um \u201ctrim\u201d lembrava como calcular (risos). Tive que comprar todos os livros novamente, estudar muito para poder voltar. Enquanto isso, tive colegas navais que decidiram seguir outro rumo e nunca mais voltaram. Eu dei sorte por voltar em uma \u00e9poca em que faltava engenheiro naval. A universidade estava formando menos engenheiros navais do que a demanda do mercado. Hoje digo que \u00e9 dif\u00edcil sair da \u00e1rea pensando em voltar depois. Uma op\u00e7\u00e3o boa \u00e9 um mestrado, ou doutorado nessa \u00e9poca de baixa, mesmo com uma bolsa pequena.<\/p>\n<h5><strong>Expectativa de mercado para os pr\u00f3ximos anos?<\/strong><\/h5>\n<p>A Petrobr\u00e1s vai voltar, sem d\u00favidas, porque o setor de \u00f3leo e g\u00e1s est\u00e1 em constante investimento. As coisas v\u00e3o voltando, n\u00e3o no mesmo ritmo, mas a constru\u00e7\u00e3o de plataformas vai voltar. Por\u00e9m, dever\u00edamos mesmo \u00e9 brigar pela constru\u00e7\u00e3o de navios. \u00d3leo e g\u00e1s s\u00f3 n\u00e3o d\u00e1. O essencial \u00e9 a volta da constru\u00e7\u00e3o de navios mercantes.<\/p>\n<h5><strong>Que conselho voc\u00ea daria aos engenheiros em forma\u00e7\u00e3o para que saiam melhores preparados para o mercado de trabalho?<\/strong><\/h5>\n<p>N\u00e3o conseguiu emprego, encara o mestrado. Tem empresas internacionais que exigem mestrado. Estude bem outros idiomas, como ingl\u00eas, franc\u00eas, alem\u00e3o, e tenta um emprego ou bolsa no exterior. Mas sempre lembrando que um bom ingl\u00eas \u00e9 fundamental. O brasileiro tem capacidade de trabalhar fora. Vai sofrer com a cultura diferente, mas vai ganhar uma viv\u00eancia muito grande, que pode fazer toda a diferen\u00e7a no futuro.<\/p>\n<hr \/>\n<h5>O Volpini atualmente mant\u00e9m uma biblioteca digital de acesso p\u00fablico, com mais de 3000 t\u00edtulos da \u00e1rea naval, devidamente organizados em pastas e subpastas. Seu acesso \u00e9 por esse <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/0BzKZfBn-RowKR3NEVnZjdkJjelU?usp=sharing\">link<\/a>.<\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Henrique Volpini tem mais de 35 anos de experi\u00eancia na \u00e1rea de engenharia, consultoria, desenvolvimento, suporte e marketing. Formado na UFRJ em Engenharia Naval e Oce\u00e2nica em 1980.\u00a0Durante sua trajet\u00f3ria trabalhou no Estaleiro Mau\u00e1, em classificadoras, como DNV e RBNA. 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